segunda-feira, 24 de maio de 2010

Angústia

O que seria de nós se não tivessemos a angústia para depurar aquilo que mais nos deixa sós?...

sábado, 10 de outubro de 2009

Um conselho

"O Homem é feito pelo Bem e pelo Mal, são inseparáveis. O campo de batalha do Bem e do Mal é na mente humana."

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O que é ser Cristão?

O nosso compromisso cristão é algo que se vive a nível da teoria ou do compromisso vital? O que caracteriza um cristão não é o conhecimento de belas fórmulas, que expressam uma determinada ideologia, nem o cumprimentoexacto de ritos, nem uma assinatura feita no Livro de Registo do Baptismo da paróquia, mas é a adesão a Cristo. Ora aderir a Cristo (fé), significa conformar, a cada instante, a própria vida com os Seus valores de Cristo, segui-Lo a par e passo no caminho do amor a Deus e da entrega total aos irmãos. Não se pode fugir a isto: a nossa caminhada cristã não é um processo teórico e abstracto, concretizado num reino de belas palavras, mas é um compromisso efectivo com Cristo, que tem de se traduzir, a cada instante, em gestos concretos em favor dos irmãos.
Que gestos são esses? São os mesmos gestos que Cristo realizou e que o tornam, aos olhos dos seus concidadãos, um sinal de Deus. Ora, Cristo lutou pela justiça e pela verdade; denunciou tudo aquilo que escraviza o homem e o impede de ser feliz; foi ao encontro dos marginalizados e manifestou-lhes o amor de Deus; realizou gestos de serviço e de partilha; distribuiu o perdão e a paz; ofereceu a Sua própria vida para salvar os Seus irmãos. Assim, quem segue a Cristo tem de lutar, objectivamente, contra as estruturas que geram injustiça e opressão; tem de acolher e amar aqueles que a sociedade marginaliza e rejeita; tem de denunciar uma sociedade construída sobre esquemas de egoísmo e de mostrar, com o seu testemunho, que só a partilha e o amor tornam o homem feliz; tem de quebrar a espiral da violência e do ódio e propôr a tolerância e o amor...
Por vezes , há uma profunda dicotomia, nas nossas comunidades cristãs, entre a fé e a vida. O nosso compromisso religioso traduz-se em liturgias soleníssimas, em procissões sumptuosas, na construções de igrejas esplendorosas, em rituais fascinantes... e mais nada. Depois, na vida da comunidade, há desunião, há conflito, há falta de solidariedade, há indiferença para com as necessidades do irmão, há criticas destrutivas, há palavras que ferem e afastam os outros, há gestos de arrogância, há falta de amor...
Por vezes, há uma profunda dicotomia, nas nossas vidas pessoais, entre a fé e a vida. O nosso compromisso cristão traduz-se na participação certa nas Eucaristias dominicais, na participação em manifestações públicas de religiosidade, na pertença a movimentos eclesiais... e mais nada. Depois, na vida do dia a dia, praticamos injustiças, pactuamos com esquemas de corrupção, tratamos com pouca caridade aqueles que vivem ao nosso lado; passamos indiferentes diante das necessidades e dores dos irmãos; marginalizamos aqueles de quem não gostamos; demitimo-nos das nossas responsabilidades na construção de um mundo novo e melhor...
Muitos de nós recebemos uma catequese que insistia em ritos, em fórmulas, em práticas de piedade, em determinadas obrigações legais, mas que deixou para segundo plano o essencial: o seguimento de Jesus. Que nenhum de nós tenha dúvidas: ser cristão é bem mais do que ser baptizado, ter casado na igreja, organizar a festa do santo padroeiro... A identidade cristã constrói-se à volta de Jesus e da Sua proposta de vida. O cristão é aquele que faz de Jesus a referência fundamental, à volta da qual constrói toda a sua existência.

(Ecclesia/Dehonianos, 24º Domingo do Tempo Comum)

sábado, 24 de janeiro de 2009

O presépio da nossa existência

É fenomenal como tudo se nos depara à frente e muitas vezes não conseguimos deixar as nossas ligações "terrenas" para dar atenção a Deus, a Jesus e à nossa criança interior, que é a criança de que falas, a do presépio, a figura que Deus escolheu para chegar até nós. Ele escolheu a Criança e não o adulto. Ele escolheu a simplicidade, a unicidade, a franqueza, a pureza, tudo aquilo que uma criança pode significar para nós, para Deus.

É essa criança que o Homem esquece ou esconde debaixo do tapete para se "armar" em homem, em responsabilidade e, infelizmente, em egoísmo... Porque nós somos anjos! Nós somos seres de Luz que fomos criados à Sua imagem e semelhança!... Para que serve isso hoje?! Não nos dá dinheiro, poder, afirmação, numa guerra constante pela energia do próximo, denegrindo, virando costas, enrugando a testa...

E, por termos deixado a nossa criança escondida debaixo do tapete, vingamos o nosso desespero abatendo árvores, ofendendo o próximo que é o nosso mais semelhante ser de Luz, agarrando este Mundo este Planeta como se fosse nosso (risos!)... quando simplesmente aparecemos nele, sem nos ter sido dado "comprovativo da Escritura". Apenas desrespeitamos o Planeta da mesma forma que desrespeitamos o nosso colega de trabalho, com o qual travamos ums luta interna pela posse de um melhor ordenado; a/o nossa/o namorada/o quando criamos jogos pelo controlo e posse de outra vida; dos nossos filhos (!) quando os deixamos abandonados a um computador a uma TVCABO ou Playstation apenas para não nos incomodar; os nossos pais quando os deixamos morrer num canto, entregues a um hospital onde demos a morada errada para dizermos que "daqui lavamos as mãos"...

Quem somos afinal? O que aprendemos desde que nascemos? O que nos propõe a vida, Deus e a nossa mais pura essência afinal?? Do pó nasceste, em pó te tornarás.

E é aqui que o presépio nos revela a Criança! É aqui que nós somos convidados a mostrar a nossa matriz mais essencial, mais pura, mais única que Deus implementou em nós. É aqui que vemos e sentimos o que somos e qual o nosso papel nesta rede, nesta vida de ligações, em que todos nós somos Um só!

Bem... este texto não servirá concerteza para mudar o mundo, apenas espelha uma dor, de injustiça, uma dor de mudança estagnada... Porque sem dúvida que nós estamos na beira de um precipicio e sabemos "o caminho" para o ultrapassar, mas teimamos em procurar a nossa queda...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Pedaços de Luz e recolhimento

Saio de casa com ansiedade. Indeciso procuro caminhos para onde começar a minha jornada. Entro por uma vereda e paro 10 metros à frente para escutar o meu coração... volto para trás e sigo para onde quer ir o meu peito.
Contemplo as árvores despidas, os ribeiros, o solo molhado, a palete de castanhos e verdes e vou olhando para dentro. À cabeça vêm caminhos, alguns que não posso caminhar palmilhar fisicamente, escolhas, intuições... pensamentos, vontades reprimidas, de voar, de sentir, do meu Eu escondido... PARO.

Uma casa de pedra escondida, sozinha no arvoredo denso desperta os meus sentidos e com ela, aqui mais perto, uma árvore larga e velha, coberta de musgo verde claro. Começa a chover!... escondo-me num alpendre amigo que estava ali mesmo ao lado, pronto para me acolher. Contemplo tudo à minha volta...um molho de erva verde jaz a meu lado juntamente com ramos secos e despidos. Servirá para alimentar os animais em cativeiro. Tento enraizar na Terra Sagrada e sinto uma energia enorme percorrer-me o corpo. Tremo e sinto os Chakras aspirar tudo à volta. Contorno o lugar à procura da entrada para o sopé onde estão as árvores que me chamam. Entro numa divisória grande coberta de árvores altas e finas, percorridas por um musgo "branco". Avanço sem medo por sentir ter autorização. Cumprimento todos estes seres maravilhosos e coloco as minhas mãos nos troncos fortes de alguns deles... e enraizo-me com eles. Sinto a força e a energia que os percorre. Escuto os sons que me rodeiam e sinto que não estou sozinho ali. Todas aquelas entidades me rodeiam
e guardam, protegendo-me do que se encontra fora daquele perimetro! Fixo-me na minha energia... pé ante pé começo a sair e perto da porta viro-me para trás e reparo que todos aqueles seres brilham numa densa Luz branca! Encho os meus olhos de emoção alegre e o meu coração enche-se com aquele tributo! A Natureza retribui-me a Luz e o carinho, o reconhecimento de mim próprio! Guardei-os comigo e voltei ao caminho. Cá fora, um pouco mais longe, olho novamente para o meio de todas as árvores e todas me pareciam banais.

Continuando o meu percurso, percorro as florestas, rodeado de montes e vales que me guardavam com respeito. A noite começa a cair e tenho de me apressar. Entretanto, já no caminho de alcatrão que me conduzia a casa, um homem humilde que passa a meu lado de mota pára e oferece-me boleia à qual recuso. É muito e gratificante sentir que este mundo tem alguém menos egoísta e que pensa em nós, fazendo-nos sentir importantes!

Ao longe, cânticos ecoam pelas montanhas. Acho estranho, parecem mantras... uns metros à frente compreendo que são os cânticos da igreja a invocar N. S. Fátima... como é maravilhoso... tudo se integra à minha frente, no meu caminho, na minha vida... pelo escurecer sou uma bola de Luz branca que irradia Paz e Amor a todos os seres! Todo o meu corpo se expande e se entrega à Terra Mãe, contactando as árvores, os pássaros que cantam alegres na hora do recolhimento, o rio que passa lá em baixo e persiste no seu caminho... LINDO!

Ao chegar a casa sento-me no calor ao lado da minha avó, procurando secar a roupa húmida. Não quero saber de mais nada a não ser este calor, da minha casa, da minha familia, do meu interior... e esqueço tudo o resto lá fora...

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Um passeio de energia!

Que belo passeio! O Sol está coberto de pretas nuvens que o impedem de me aquecer, mas mesmo assim começo a passo lento, cansado e gradualmente vou enchendo as pernas com vontade e vigor. Energicamente ando mais depressa e sinto as mãos quentes a fugir à frieza que sentia em tempos. Hoje as minhas mãos raramente estão frias.
Por fim acalmo a marcha e lentamente descubro o Sol que me cumprimenta e me beija com um calor limpo. Absorvo cada raio, cada calor... Sinto Mantras de Paz a percorrerem-me a mente, o xin. À minha volta tudo se enche de gratidão e bondade e todo aquele silêncio citadino me envolve... Lentamente, cerro os punhos e sinto o bater do meu coração forte nas palmas das mãos e sinto a energia escorrer por elas. Penso em si Shaktishiva e sinto gratidão por me ter mostrado um caminho de Luz e energia que me faz querer expandir e curar o Mundo! Um Mundo que é de Deus mas que de Deus intimamente não tem nada... OM Shanti!